Hoje é véspera de natal, são 14:25h e eu estou no escritório cheio de trabalho, agoniado por estar preso em uma sala vazia, o ar condicionado ligado, paredes cinza, iluminação fraca. Pra todo canto que olho vejo papéis, o pessoal preferiu ir embora mais cedo para os preparativos. Só papéis; Rascunhos, notas fiscais, contas, monotonia total. Ouço o barulho de vento que vem lá de fora. Não posso ver, somente imaginar, as janelas estão fechadas. Hoje o dia amanheceu com o céu aberto, mas agora pelo que me parece, já anuncia que vem chuva por aí. Deixo a minha cadeira que ringe por falta de óleo. Levanto, abro a janela e vejo neblina, há certa hora uma garoa toma a cidade. Está frio, a paisagem mudou, preciso do meu agasalho que está no armário desde julho mais ou menos. Me sinto ainda mais agoniado. Bem pior, angustiado. Não tenho planos para a noite, alias sei que deveria ir à casa de meus pais que reunirão toda a família, mas o que quero mesmo é voltar para o meu apartamento, deitar na minha cama e ficar sozinho como em todos os dias do ano, afinal nunca me importei mesmo com esta data natalina. Só gostava das comidas, bebidas e mesas fartas. Apesar de saber do verdadeiro significado desse dia, que se for analisar é realmente encantador. É o natal mexe mesmo com a gente, são luzes, cores, aromas, enfeites. Não tem como não ficar inspirado, a imaginação vai longe. Agora são 22:45h, apago a luz do cubículo que me escondo e espero dar meia noite. Não quis estar rodeado de pessoas, não hoje, não neste natal. Enquanto isso, muitos se embriagam, muitos se emocionam, muitos discutem, muitos se abraçando, muitos deliciando as ceias, e muitos, como eu, aqui sozinho no quarto escuro, abraçando o travesseiro e imaginando onde estava nesta mesma hora no ano passado e como será o próximo natal.
Sandro Carvalho
Sandro Carvalho
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