Fiquei ali, parado por algumas horas só observando. Anoiteceu.
Sondei seus passos e todos os movimentos da sua casa. Esperava ver mais, mesmo que de longe. Sei, era o que me cabia. Quando nem sabe que existo.
Não foi primeira vez de vontade louca, a ponto de prestar o papel espiatório. Cada vez mais perigoso, porque nem sei seu nome, mas sei seus gostos. E a invasão é cada dia menos escrupulosa.
Quero notoriedade, mas se não acontecer, um dia farei besteira. Invadirei a sua casa, e entrarei na sua vida sem perguntar a sua opinião. E se der tragédia, direi que foi sem querer. Mas a intenção foi boa.
Sandro Carvalho
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